terça-feira, 21 de abril de 2009


Meses se passaram e não escrevi nem uma linha.
Há tempos que não tenho vontade de fazer nada que pareça útil. Tenho a sensação de que fiz muito nesta tentativa e grande parte deu em nada.
Minha querida filha Vera foi quem me tirou do buraco, com uma tenacidade e amor hercúleos me carregava para médicos, exames, cinemas para tudo que achava que poderia me distrair apesar de seus inúmeros encargos com o Renascer.
Meus filhos também muito amados, não faziam tarefas práticas e necessárias essas foram feitas por meu genro Paulo a quem sou muito grata. O que eles faziam de bom para mim é mostrar de várias formas o bem que me querem e a gratidão por tudo que de mim receberam. Com isso concluo que acertei mais do que errei na criação deles, o que também me conforta bastante. Sinto que todos os três me querem viva por mais algum tempo o que não é o meu caso. Talvez quem não tenha atingido 79 anos não possa compreender que viver cansa. São muitas tarefas repetidas e também existe o receio de passar por mais desgostos que é possível tolerar. Vera, vem sempre me contar histórias de senhoras atléticas físicas ou mentais que tem o maior “Tesão” de andar 4 quilômetro na Lagoa, que adoram viajar com netas mundo a fora ou que escrevem maravilhas como Lia Luft e muitas mais. Fico me sentindo a “baixo do rodapé”, pois não tenho ânimo para nada disso. Tem momentos que para manter o equilíbrio emocional tenho que acionar o raciocínio com Bridge do computador, palavras cruzadas e outras tantas inutilidades. Mais hoje estou muito eficiente a conselho de Renato tomei xarope de maracujina para dormir em vez das drogas químicas. Parece que funcionou, pois tive um sono tranqüilo e acordei dês-can-sa-da (fato raro).
Em conseqüência já fiz os exercícios para coluna, esteira, meditação e aqui estou satisfeita escrevendo meu diário que talvez seja útil para minhas netas, netos e bisnetas, as mulheres principalmente, talvez se identifiquem com certos aspectos e os homens ficam conhecendo um pouco desta senhora comum que nasceu em 1928 os que para eles será certamente um passado quase irreconhecível.
Existe uma coisa positiva neste meu momento, sonho com a possibilidade de meu professor de canto coral me escolher para na próxima apresentação fazer um número solo com o título da “nossa Piaf”. Nossa porque ninguém sabe de quem, só eu – Da Câmara Comunitária da Barra – minha escola de canto. Já tenho a roupa preta e uma linda cruz para pendurar no pescoço visto ser este seu símbolo. Esta historia estranha
começou com minha mãe que passou uns tempos inesquecíveis de sua vida em Paris. Apaixonou-se pela cidade, povo e língua e passou essa vibração toda para nós filhas, além de nos colocar em coleio de freiras francesas. Tempos atrás quando fui fazer um curso de canto no “Microfone” minhas professoras afirmaram que minha voz só tinha “brilho” em francês. Aceitando suas abalizadas opiniões fiz um repertório na língua que me era muito familiar baseado nas canções de Mireille, Mathieu e Piaf. Segundo Roberto nossos desejos podem se materializar desde que estejam em concordância com as leis cósmicas. Creio que esta vontade não vai contra nenhuma lei e por isso peço sempre ao Espírito Santo para me atender e também tenho no meu quarto o retrato das duas para me lembrar constantemente desta meta. Já pensou a nossa Piaf! É capaz de dar samba e alegria. Meu professor se entendeu meus planos, ainda não deu sinal. Ontem até aconteceram duas coisas na aula , uma ruim e outra boa. No momento em que chegou a vez de me apresentar o maestro disse: “Vamos rápido por que o tempo já acabou”. Eu deveria ter proposto que adiássemos para a próxima aula, mas como adoro me mostrar não resisti e cantei “Pour Deux Coer qui S'Aime” o fato recompensante foi que um modesto funcionário da Câmara que veio buscar o microfone disse: “Adoro ver a senhora cantar”. Pronto, esta sensação boa anulou a ruim e foi a que trouxe comigo. Puxa! Ainda não são 11 horas e já fiz tanta coisa útil assim, Vera vai acabar ficando satisfeita, e eu quem sabe me tornarei uma “senhora dinâmica”.

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