Grande parte de minha insegurança me parece ter começado quando iniciei a aprender a ler com minha mãe.
Tempos depois vim a saber que ela tinha razões de sobra para estar frustrada. Acredito ser esse o motivo para que suas aulas fossem tão irascíveis! Neste clima desagradável eu ficava nervosa e não conseguia me concentrar nem aprender. Isso a deixava mais irritada ainda e eu torturada quando chamada para as aulas, cujo local até hoje me recordo com desprazer. Houve um dia que por acaso escutei-a falando com alguém: “Ainda bem que ela é bonita e graciosa, pois não tem aptidões intelectuais. “Senti uma verdadeira punhalada no coração”. Então quer dizer que eu era burra! Que tristeza...
Minhas duas irmãs eram consideradas boas alunas do Colégio Sion, um dos melhores do Rio. Flora era aplicada e Leonor considerada “Geninho” que até maratona de matemática participou e aos 10 anos se interessava verdadeiramente por ler “Les Miserables” de Victor Hugo. Elas eram boas amigas, o que sobrou para mim,como já disse, foi a companhia de meu irmão Julinho.
Recordo-me que mamãe delegava a Leonor a função de reforçar meu aprendizado. Ela que detestava a função ia de mau humor e lembro-me de algo que também me feriu fundo e foi motivo de ridicularização, o fato de eu ter escrito uma palavra com ortografia errada. Todos riram de mim o que me deixou mais humilhada. Estes fatos foram crescendo na minha cabeça de tal forma que passei a ficar introvertida e calada diante das pessoas com receio de dizer bobagens e sofrer com elas.
Interessante que agora escrevendo estas lembranças vêm surgindo detalhes e com a emoção correspondente. Como pode algo tão antigo não ter sido completamente apagado? Talvez porque essa “vergonha” tenha me acompanhado por longos anos. Houve uma trégua neste clima quando fui fazer o primário no colégio Mello e Souza onde de repente me vi entre as três primeiras da classe e muito valorizada pelos donos e diretores da escola. Mas meu sonho era ir para o Sion onde estudavam minhas irmãs e pertencer a mesma categoria delas.
Aí é onde entra Sarah! Na época havia um exame de admissão para cursar o ginásio muito levado a sério. Para me preparar bem fui fazer um curso de férias na casa de Sarah, onde a família super intelectualizada organizou para filha e amigas próximas uma sala de aula com carteiras e todo um ambiente escolar. Não posso dizer que ia para lá satisfeita mas todos eram muito afetuosos comigo e estava me preparando por vontade própria para me equiparar a minhas irmãs.. Sarah e eu éramos primas, irmãs nascidas no mesmo mês com diferença de dois dias. Seu pai irmão da minha mãe era um cientista ateu que fazia questão de provar a inexistência de Deus. Era um homem um tanto quanto original que valorizava muito mais a Sarah do que sua outra filha mais velha pelo fato dela ter pendor para os estudos. Eu era a bela e Sarah a sabia e assim o a sansara continuava Naturalmente ambas passamos no exame bem colocadas, ela para Escola normal e eu para o Sion. No 1° ano fui muito feliz acompanhava a turma com facilidade, mas mamãe não se conforma que eu fosse da classe B (alunos menos adiantados do que a turma A) convenceu as freiras sem perguntar minha opinião a me transferirem no 2° ano ginasial para a turma A. Não só perdi minhas colegas, a posição que tinha conquistado como peguei a pior chefa de classe: Mere Maurita, apelidada “o Leão do Metro” Voltei para o inferno! Minha classificação caiu para abaixo da média, e a frustração voltou a subir. Perdi muito o prazer de estudar e arrastei estes anos até me formar na 4° série. Saturada de horários rígidos, bênção ás 5 horas da tarde morta de sono e desinteresse fiquei mais ou menos meio ano namorando, indo á praia e estudando inglês na Cultura Inglesa. Sobrava tempo e resolvi fazer o curso de secretariado no Colégio Fontainha, o que me levou até lá não me lembro mas só pode ter sido o Espírito Santo pois foram dois anos ma-ra-vi-lho-sos!
Gostava de tudo: do currículo, professores, colegas e diretores. Foi uma nova versão do Mello e Souza, tive ainda meu primeiro contato com alunas de teatro e a grande satisfação por ter sido escolhida para o papel de Branca de Neve, representado no Teatro Municipal com pompas e honras para festejar a formatura.
Minhas duas irmãs eram consideradas boas alunas do Colégio Sion, um dos melhores do Rio. Flora era aplicada e Leonor considerada “Geninho” que até maratona de matemática participou e aos 10 anos se interessava verdadeiramente por ler “Les Miserables” de Victor Hugo. Elas eram boas amigas, o que sobrou para mim,como já disse, foi a companhia de meu irmão Julinho.
Recordo-me que mamãe delegava a Leonor a função de reforçar meu aprendizado. Ela que detestava a função ia de mau humor e lembro-me de algo que também me feriu fundo e foi motivo de ridicularização, o fato de eu ter escrito uma palavra com ortografia errada. Todos riram de mim o que me deixou mais humilhada. Estes fatos foram crescendo na minha cabeça de tal forma que passei a ficar introvertida e calada diante das pessoas com receio de dizer bobagens e sofrer com elas.
Interessante que agora escrevendo estas lembranças vêm surgindo detalhes e com a emoção correspondente. Como pode algo tão antigo não ter sido completamente apagado? Talvez porque essa “vergonha” tenha me acompanhado por longos anos. Houve uma trégua neste clima quando fui fazer o primário no colégio Mello e Souza onde de repente me vi entre as três primeiras da classe e muito valorizada pelos donos e diretores da escola. Mas meu sonho era ir para o Sion onde estudavam minhas irmãs e pertencer a mesma categoria delas.
Aí é onde entra Sarah! Na época havia um exame de admissão para cursar o ginásio muito levado a sério. Para me preparar bem fui fazer um curso de férias na casa de Sarah, onde a família super intelectualizada organizou para filha e amigas próximas uma sala de aula com carteiras e todo um ambiente escolar. Não posso dizer que ia para lá satisfeita mas todos eram muito afetuosos comigo e estava me preparando por vontade própria para me equiparar a minhas irmãs.. Sarah e eu éramos primas, irmãs nascidas no mesmo mês com diferença de dois dias. Seu pai irmão da minha mãe era um cientista ateu que fazia questão de provar a inexistência de Deus. Era um homem um tanto quanto original que valorizava muito mais a Sarah do que sua outra filha mais velha pelo fato dela ter pendor para os estudos. Eu era a bela e Sarah a sabia e assim o a sansara continuava Naturalmente ambas passamos no exame bem colocadas, ela para Escola normal e eu para o Sion. No 1° ano fui muito feliz acompanhava a turma com facilidade, mas mamãe não se conforma que eu fosse da classe B (alunos menos adiantados do que a turma A) convenceu as freiras sem perguntar minha opinião a me transferirem no 2° ano ginasial para a turma A. Não só perdi minhas colegas, a posição que tinha conquistado como peguei a pior chefa de classe: Mere Maurita, apelidada “o Leão do Metro” Voltei para o inferno! Minha classificação caiu para abaixo da média, e a frustração voltou a subir. Perdi muito o prazer de estudar e arrastei estes anos até me formar na 4° série. Saturada de horários rígidos, bênção ás 5 horas da tarde morta de sono e desinteresse fiquei mais ou menos meio ano namorando, indo á praia e estudando inglês na Cultura Inglesa. Sobrava tempo e resolvi fazer o curso de secretariado no Colégio Fontainha, o que me levou até lá não me lembro mas só pode ter sido o Espírito Santo pois foram dois anos ma-ra-vi-lho-sos!
Gostava de tudo: do currículo, professores, colegas e diretores. Foi uma nova versão do Mello e Souza, tive ainda meu primeiro contato com alunas de teatro e a grande satisfação por ter sido escolhida para o papel de Branca de Neve, representado no Teatro Municipal com pompas e honras para festejar a formatura.
Já li tudo e quero mais! Estou adorando ler seu blog, Cordelinha!Já aprendi algumas boas lições com suas experiências. É incrível como pequenas atuações, falas ou gestos de outras pessoas podem, às vezes,alterar tanto o curso de nossas vidas. Apesar das dificuldades,você está aí firme e se tornou um ser muito rico e adorável. Continue o blog que quero ouvi-la mais...
ResponderExcluirTambem estou esperando mais! Que maravilha ter toda a sua historia, experiencia e aprendizado tao acessivel e deliciose de ler!
ResponderExcluirMemso sendo sua neta e ter tido mil e uma conversas sobre sua vida, estou ainda aprendendo sobre voce cada dia mais. Isso me deixa muito feliz e me inspira! Tambem quero saber mais!
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ResponderExcluirmãe , escrevi um comentario mas acho que não saiu. è incrivel como sofremos por coisas, ou situações inexistentes!
ResponderExcluirVocê sempre foi inteligente e criativa, mas uma trama familiar fez sentir o contrário. Continue mãe pois você já é mais que atlética ~, já ganhou olimpiada e não sabe que ganhou. Muito orgulho de ser sua filha!
Beijos
Vera